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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ópera "O auto da Compadecida", de José Siqueira e Ariano Suassuna


Que o PQP Bach é o melhor blog de downloads de música clássica do mundo, não há dúvidas - melhor, no sentido de abarcar todas as épocas e todos os estilos (acho que há mais de 15 colaboradores na equipe do PQP, cada um dedicado a umas duas ou três áreas). Só o fato de ele conter uma coleção de musica sacra colonial brasileira maior do que a de muita gente por aí, já garantiria um certificado ISO 9 mil e tantos. Mas ontem, eles exageraram, conseguiram a única gravação existente da ópera O auto da Compadecida, que o compositor paraibano José Siqueira fez sobre a peça de Ariano Suassuna. O registro fonográfico, ao vivo, é de 1961, por ocasião da estreia da ópera, ou melhor, da comédia musical. Não vou ser redundante, leiam o texto do próprio PQP Bach e baixem os áudios e uma dissertação do cantor lírico Luiz Kleber Queiroz sobre a peça siqueiriana. Aproveitei o ensejo para reouvir candomblé, na minha opinião, a obra-prima de José Siqueira, cujo link está naquele blog também. Meu domingo de carnaval está sendo uma maravilha, ouvindo essas obras na calmaria de meu quarto.

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sábado, 11 de maio de 2013

Outros blogs para se seguir

Ficam como recomendações minhas cinco blogs onde os apreciadores podem aprender bem mais sobre música clássica do que em qualquer revista de cultura existente no país atualmente.

1. Falando de Música: o blog do regente paranaense Osvaldo Colarusso, vinculado ao jornal Gazeta do Povo, tem presenteado seus visitantes com críticas agudas e análises históricas audaciosas a cada semana. Clareza, rigor e combate aos lugares-comuns andam juntas a cada postagem do maestro.

2. Euterpe: quem gosta de apreciações longas e consistentes de obras do repertório standard, e de análises que envolvam música clássica e outras artes clássicas, este é o canal perfeito. A recente revisitação da Paixão segundo São Mateus de Bach, em dez postagens, foi apenas uma prova recente disso.

3. PQP Bach: é o oposto do Euterpe quanto ao espírito. Anarquia, sarcasmo, eventual fragmentarismo e desvio de foco para mulheres, política e futebol. Um desbunde só que faz com que alguns dos integrantes da equipe se travistam como verdadeiros clowns. Mas não se engane que todos lá sabe do que falam. A coleção de Música Colonial e Imperial Brasileira disponibilizada é maior do que qualquer acervo físico no país.

4. João Luiz Sampaio: o crítico do Estadão e colaborador permanente da revista Concerto encontra-se no coração da atividade operística e sinfônica brasileira: São Paulo. Daí sempre contribuir com sua visão próxima, mas com o mínimo de concessões, sobre os principais eventos e problemas que agitam o mainstream nacional.

5. Clube do Maestro: para quem quer novidades com concisão jornalística. Aqui, os posts são notícias, não reportagens, e ficam sob a responsabilidade do maestro carioca Ricardo Prado.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Levada ad libitum

Maestro Clóvis Pereira. Foto: Divulgação/Facebook.

Tive acesso (por meio do blog PQP Bach) a uma gravação da Grande Missa Nordestina, de Clóvis Pereira, feita em 1979 e comparei-a com a de 2005. Atendo-se ao Kyrie e ao Gloria, os dois movimentos de maior ênfase rítmica, pode-se notar que as diferenças entre as interpretações são brutais no papel da percussão, e um pouco no fraseado do barítono solista no Gloria.

O Kyrie da gravação 1979 usa um pandeiro no lugar dos chocalhos de 2005 e imprime uma célula rítmica de galope acelerado, que é o que se adequa aos caboclinhos que inspiraram o compositor. Já o Gloria, na gravação de 2005, usa triângulo e zabumba tocando em ritmo de baião, mas na 1979 há apenas o mesmo pandeiro do Kyrie tocando em ritmo de samba de coco - um gênero musical mais "de raiz" que o popularizado baião - e fazendo "paradinhas" características do coquistas.

Agora, só conversando com o compositor para saber qual das duas interpretações condiz com a intenção dele, pois são padrões rítmicos totalmente distintos que estão em questão. Detalhe: Clóvis regeu as duas versões. Por sorte, ele mora a seis quadras de minha casa, de frente pra minha faculdade, e posso consultá-lo quando for oportuno.