sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Música levanta-moral

Para quem vai passar a noite em casa escrevendo, aí vai uma sugestão de ouverture pra trilha sonora da jornada. Se você estiver na fase maníaca de sua bipolaridade, aproveite pra ficar nela o máximo possível explorando no YouTube outras peças do saudoso José Eduardo Gramani (1944-1998).


Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"Seis peças de 'música do presente'" - ou "Música antirretrô"


O Prelúdio 21, conforme mencionado na edição #130 da Continente, é um caso raro de coletivo de compositores de música clássica, tal qual o Grupo dos Cinco na Rússia da segunda metade do séc. XIX e o Les Six na Paris dos anos 1920. Único em atuação no Brasil, o grupo de autores musicais surgiu no Rio de Janeiro em 1996 com o intuito de empreender concertos dedicados às obras de seus próprios integrantes, sem depender de curadorias, editais ou encomendas – os meios mais convencionais de estímulo à produção artística.

A dinâmica do Prelúdio 21 é simples: produzir apresentações, em série ou isoladas, para as quais são convidados solistas ou grupos de câmara (orquestras ainda não, por enquanto) formados por colegas e alunos dos membros do coletivo. Vez ou outra, as partituras direcionadas aos músicos chegam a ser inéditas, pois, por exemplo, se um flautista for chamado para uma audição, é preciso que todos os compositores possam prover o instrumentista com repertório próprio.


Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução citando-se a fonte e o link de origem.

Sonoras - junho de 2012

FADO
FADO
Vários intérpretes
Universal Music

Uma coletânea que reunisse representantes do velho e do novo fado, encabeçados, claro, por Amália Rodrigues. O presente álbum duplo poderia agradar pela própria concepção e pelo excepcional repertório, mas oferece também um providencial encarte, que explica – de forma rica e concisa – a história e as características do gênero português. As 40 faixas do disco, sobretudo, apresentam ao público brasileiro cantores (homens e mulheres, diga-se) e instrumentistas de primeira linha, cujos trabalhos solo ainda pouco circulam pelas margens de cá do Atlântico.

***

ORQUESTRAL
Discoveries
Gustavo Dudamel
Deustche Grammophon

O carismático maestro venezuelano, que parece não perder a unanimidade entre a crítica e entre seus pares, aqui se apresenta em uma seleção de suas melhores gravações, que vão de compositores românticos standard a obras de latino-americanos modernos e contemporâneos, os quais tanto ajuda a consolidar nos EUA e na Europa. Além dos registros ao lado das Filarmônicas de Berlim e Viena e das Sinfônicas Simon Bolívar da Venezuela e de Gotemburgo, o box contém ainda um DVD com o documentário The promise of music, do diretor Enrique Lansch.

***

INSTRUMENTAL
Saracotia
Saracotia
Independente

Depois de atuar ao lado de vários conjuntos da nova cena instrumental recifense, e de cantores consagrados na cidade, os amigos Rodrigo Samico (violão de sete cordas), Rafael Marques (bandolim de dez cordas) e Márcio Silva (bateria) lançam o primeiro álbum do próprio grupo. Mesclando, de forma engenhosa, bases rítmicas nacionais e jazz (como simboliza a presença de Chick Corea e Jacob do Bandolim em meio às peças autorais), o Saracotia buscou transmitir o máximo de musicalidade ao gravar este disco em uma única sessão, sem cortes e edições.

***

Foto: Reprodução.
Edino Krieger
REGISTRO MAGNO EM TRIPLA ESCALA

Convém logo advertir que o uso do adjetivo “magno” para o livro Edino Krieger: crítico, produtor musical e compositor, organizado por Ermelinda Paz, deve ser aplicado ao resultado da publicação em si, a primeira a abarcar a catalogação composicional de um músico brasileiro junto ao seu inventário como crítico musical e realizador cultural. “Magno”, portanto, é o empreendimento, mesmo que seja uma propensão natural atribuir, ato contínuo, a qualificação ao compositor. A resistência a esse segundo passo emerge quando questionamos em que medida estamos reconhecendo méritos ou escapando para o laudatório. Tal dilema sobressai, aqui e acolá, na grande sequência de depoimentos enaltecedores no livro, já não bastassem os dedicados (e merecidos) à atuação de Edino. Às vezes a própria autora profere elogios, mais aceitáveis em um trabalho autoral, e não documental como este – uma afirmação peremptória como "A história da música brasileira, em especial a contemporânea, seria outra, não tivesse existido Edino Krieger" exemplifica o caso. Em consequência, não se veem críticas desfavoráveis a Krieger nem conflitos nos quais o compositor tenha-se envolvido (apenas testemunhado). Isso mencionado nada interfere na magnitude da obra. A introdução biográfica sobre o músico transita, sem ser abrupta, da história de sua cidade-natal, Brusque-SC, à da família Krieger e surpreende quando integra a história pessoal de Krieger à da música clássica nacional do século XX, descortinando episódios e conflitos quase desconhecidos, tal qual as chacotas sobre o método de escrita das montanhas de Villa-Lobos, as divergências entre Lorenzo Fernandez e Koellreutter e a inadvertida prisão em Ellis Island, em 1948. Nos dois volumes da pesquisa, destacam-se também uma inusitada "fortuna crítica do crítico", com depoimentos de músicos que foram objeto de matéria de Edino Krieger, e a listagem desses textos, acompanhados cada uma por uma síntese (em ordem cronológica, quando seria também desejável por divisão temática).

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

Concurso Osvaldo Lacerda


Um dos maiores compositores do nacionalismo musical brasileiro (1927-2011) dá nome ao mais novo concurso para piano do país, dedicado exclusivamente à execução e divulgação de sua obra. A inscrição custa 50 reais é exigido um mínimo de 10 participantes para ocorrer o certamente. Todos os detalhes podem ser encontrados no site oficial do evento.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Sonoras - setembro de 2012


Coletânea
FACETAS E PARADIGMAS DOS CRIADORES MUSICAIS

Talvez pouco subsista, no imaginário coletivo, a figura do compositor do período romântico que permaneceu por gerações como “um sofredor incompreendido, sempre de saúde frágil e sujeito a uma morte prematura”, nas palavras de Tim Rescala – pelo menos quando nos referimos aos compositores modernos e contemporâneos. Contudo, nenhuma outra imagem substituiu aquela, e continua sendo quase inescapável, conforme o mesmo Rescala, a condenação ao anonimato como sina dos grandes gênios da música. Assim, a fim de convergir experiências e atuais reflexões a respeito da atividade composicional, bem como situar o leitor em geral a respeito, o de-compositor Livio Tragtenberg (da Orquestra dos Músicos de Rua e da Blind Sound Orchestra) reuniu artistas e estudiosos de expressões tão diversas quanto Rescala, autor de operetas infantis; o sonologista Sérgio Pinto; e Ibaney Chasin, pesquisador nos campos de Música, História e Filosofia, para a produção da coletânea O ofício do compositor hoje (Editora Perspectiva). Sem restrições de ordem formal, os colaboradores proporcionaram uma diversidade não só de visões mas também de gêneros textuais, do acadêmico ao experimental, como na colagem de Emanuel Pimenta (arquiteto e fotógrafo que conviveu com John Cage e Merce Cunningham) e nos aforismos estruturados como variações sobre temas (citações) de Sartre, por Eduardo Seincman. Ao largo de 364 páginas, os 14 autores [eu incluso] revisitam o mister da composição sob abordagens tão distintas quanto a do ativismo político, do status social da profissão desde a Renascença, da assimilação da música acusmática, da prática da música popular urbana e da ontologia, corroborando o que aponta José Augusto Mannis ao mencionar a “acumulação gradativa de novas atribuições, aglutinadas ao redor da composição”.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

Ópera "O auto da Compadecida", de José Siqueira e Ariano Suassuna


Que o PQP Bach é o melhor blog de downloads de música clássica do mundo, não há dúvidas - melhor, no sentido de abarcar todas as épocas e todos os estilos (acho que há mais de 15 colaboradores na equipe do PQP, cada um dedicado a umas duas ou três áreas). Só o fato de ele conter uma coleção de musica sacra colonial brasileira maior do que a de muita gente por aí, já garantiria um certificado ISO 9 mil e tantos. Mas ontem, eles exageraram, conseguiram a única gravação existente da ópera O auto da Compadecida, que o compositor paraibano José Siqueira fez sobre a peça de Ariano Suassuna. O registro fonográfico, ao vivo, é de 1961, por ocasião da estreia da ópera, ou melhor, da comédia musical. Não vou ser redundante, leiam o texto do próprio PQP Bach e baixem os áudios e uma dissertação do cantor lírico Luiz Kleber Queiroz sobre a peça siqueiriana. Aproveitei o ensejo para reouvir candomblé, na minha opinião, a obra-prima de José Siqueira, cujo link está naquele blog também. Meu domingo de carnaval está sendo uma maravilha, ouvindo essas obras na calmaria de meu quarto.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sonoras - outubro de 2012

MÚSICA CLÁSSICA
CLELIA IRUZUN
Marlos Nobre – Piano Music
Lorelt

Impecável registro das obras pianísticas mais destacadas do compositor pernambucano. Com leitura cuidadosa e pleno controle de tempo e dinâmica, a pianista carioca radicada em Londres logrou interpretações consistentes de todo o repertório, comparáveis às o próprio compositor, em particular por imprimir a energia e o senso rítmico requeridos em boa parte das peças, como na Homenagem a Arthur Rubinstein e no 4° ciclo nordestino.

***

DIVERSOS
CHRIS CABIANCA
Chris Cabianca
Azul Music

Influenciada pelos musicais da Broadway, e aperfeiçoada nas técnicas de canto específicas desse universo vocal (além de já ter composto um espetáculo do gênero), a cantora paulistana apresenta seu primeiro álbum autoral, onde assina a letra de sete das dez canções, de variados estilos. Dentre os bem-escritos arranjos, de autoria do também especialista em musicais Corciolli, se sobressai a versão em bossa nova da tradicional canção inglesa Scarborough fair.

***

INSTRUMENTAL
ITIBERÊ ZWARG & GRUPO
Identidade
Delira Música

O amálgama de jazz e ritmos brasileiros, a ousada harmonia bitonal e a inspiração despertada por momentos triviais e encontros familiares. Em Identidade, Itiberê Zwarg, o parceiro musical mais frequente de Hermeto Pascoal, parte de uma gravação de infância para ir reconstruindo sua identidade sonora, ao lado de seu grupo musical (formado por familiares e amigos) – sem rédeas e com muito engenho.

***

BLUES
RODICA
Blues is in my blood
Delira Música

As fontes são as mais variadas: soul, folk, R&B, jazz. Mas a argamassa que os une é o blues – na voz da cantora Rodica Weitzman, norte-americana radicada no Brasil, e da banda que a acompanha, a Blues Groovers. A interpretação da set list, que inclui compositores standard e contemporâneos, como ela própria (autora da faixa-título), conta com convidados conhecidos em nível nacional, em especial o gaitista Flávio Guimarães, integrante da Blues Etílicos.

***

Foto: Reprodução via Google Imagens.
Vitor Araújo
SOLIDÃO E MATURIDADE

A/B dá a entender claramente que o repertório do novo disco de Vitor Araújo tem dois lados. As quatro primeiras faixas, nomeadas de Solidão, constituem o lado A; já nas quatro últimas, o virtuosismo substitui a compenetração durante o mergulho em águas agitadas caras a Vitor: o rock e os ritmos nacionais (o baião e o jongo, neste álbum). Porém, quem conhece o pianista recifense irá atestar que falar de "lado B" cai bem à trajetória artística. O Vitor Araújo que se arriscava a danificar as teclas do piano com seus pisões descalculados de All Star e magnetizava mais pela performance do que pela técnica não existe mais – graças ao Altíssimo. "Graças" porque pudemos transcender aquelas discussões polarizantes entre o gosto do grande público, conquistado pelo inegável carisma do músico, e as ressalvas da imprensa especializada, que se dava conta da infrutífera tarefa de explicar o que é uma interpretação crossover e uma intervenção numa partitura (estou incluso neste grupo). A ida para São Paulo afetou Vitor da melhor maneira possível, sem que isso queira dizer que as experiências lá possam ter sido somente boas – buscar expressar a solidão de quatro formas diferentes é algo sintomático –, mas então, quando surge esse tipo de questionamento, a prudência nos manda exercer o benefício da dúvida. "É arte tirada da vivência, mas tome isso como arte", talvez reforçasse Vitor, em sua timidez (pessoal, não nos palcos). Cabe dizer que ele não rompeu com nada do que tenha feito antes em termos musicais. Radiohead ressoa em Pulp. E Baião carrega muito da Dança do índio branco de Villa-Lobos, tão querida a Vitor (o ostinato de ambas as obras nasce no mesmo registro do piano, fora a similaridade nas figurações rítmicas da mão direita). Aliás, quem gostar de Baião, escolhida para o clipe de divulgação do disco, pode começar a ouvir, sem medo, Guarnieri, Santoro, Mignone e afins: é peça de genuína linguagem nacionalista dos anos 1930, com mais contemporaneidade nos toques acusmáticos de Yuri Queiroga – uma das participações especiais do CD, junto com Naná Vasconcelos, Rivotrill e Macaco Bong.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

Sonoras - novembro de 2012

SAMBA
ZÉ PAULO BECKER & MARCOS SACRAMENTO
Todo mundo quer amar

Borandá As letras engenhosas de Paulo César Pinheiro, calcadas no binônio samba/amor, unem a voz de Sacramento e o violão de Becker neste álbum que passeia por várias vertentes do gênero carioca – mas que igualmente abre espaço o romantismo, como na faixa Sem rumo. Menção especial para o encarte, onde todas as canções estão acompanhadas das respectivas cifras.

***

INSTRUMENTAL
SEIS COM CASCA
Num dia, no noutro
Azul Music

A formação é inusitadíssima: piano, clarinete, contrabaixo, vibrafone/bateria, violino e guitarra elétrica. O repertório, idem: do Hino Nacional Brasileiro ao folclore iídiche. Os arranjos, portanto, não poderiam ficar atrás em originalidade e, ao menos metade deles, tem um toque caprichoso, a exemplo do próprio hino (tocado não de forma ortodoxa e, sim, com uma máquina de escrever solista à la Leroy Anderson) e de A lenda de Victor Navorsky, de John Williams.

***

MÚSICA CLÁSSICA
CLARA SVERNER
Ravel – Debussy
Azul Music

Depois de empreender a gravação completa das sonatas de Mozart e do Guia Prático de Villa-Lobos, a pianista paulistana – após homenagear Chopin em seu último CD – segue concentrada em estúdio e agora lança tributo aos dois nomes maiores do impressionismo musical. Além das peças tidas por obrigatórias, como a Pavana para uma infanta defunta e Claire de Lune, o álbum também traz a Sonatina de Ravel e La plus que lente, de Debussy, dentre outras.

***

INSTRUMENTAL
HENRIQUE LISSOVSKY
Solo
Delira Música

A proposta de Henrique Lissovsky era a de gravar as músicas que tocava em sua juventude, vivenciada nos anos 1970. Por isso encontramos neste álbum, lado a lado, Gilberto Gil, Baden Powell e Keith Jarrett, bem como quatro peças de sua autoria. O grosso do repertório, no entanto, são peças de autores eruditos de várias épocas: desde uma transcrição de Bach ao contemporâneo Leo Brouwer.

***

Foto: Reprodução via Google Imagens.
Rui Ribeiro
CUMPLICIDADE COM O SAMBA

Estabelecido como psiquiatra, Rui Ribeiro é imune às instabilidades e incertezas que tiram a tranquilidade da maioria dos músicos. Ele banca a produção dos próprios discos, e não exige pouco quanto à qualidade destes: estúdios, instrumentistas, arranjadores, projeto gráfico, tudo tem de ser primoroso. Ao mesmo tempo, Rui procura evitar referências de pernambucanidade em suas composições, por não alimentar aquela velha contraposição ao eixo Rio-São Paulo. Poderia-se levantar a desconfiança de que as boas condições lhe permitam estar em melhor visibilidade que outros autores locais, sambistas especialmente – Rui, inclusive, não estudou música nem toca instrumento –, mas seu ouvido e seu apuro como letrista se evidenciam nos quatro álbuns que lançou até aqui, a partir de Samba na corda bamba (2005), atualmente esgotado. A exigência também vem acompanhada da versatilidade, já que nenhuma expressão sambística escapa da estima do compositor. Convite (2009), com arranjos de Bruno Cavalcanti, volta-se ao samba de terreiro e de partido alto, como no primeiro CD, e adota o instrumental mais amplo da discografia (incorporando até acordeom, piano, violoncelo e sopros). Já em Boa companhia (2011), a percussividade ostensiva inerente ao partido alto reduz-se em favor de uma atmosfera camerística, de roda de choro, conduzida apenas por violão de sete cordas, clarineta e trombone. Nela, as canções de Rui compartilham espaço com clássicos de Zé Kéti, Capiba e Nelson Cavaquinho. Agora, no recém-lançado Cumplicidade, a predominância é do samba jazz, na linha iniciada por Luiz Eça e o Zimbo Trio e continuada por Gilson Peranzzetta e Mauro Senise. Os arranjos de Sérgio Godoy para as canções de Cumplicidade (todas autorais, sendo uma em parceria com o violonista Públius Lentulus) incorporam bases rítmicas da música caribenha, do tango, do blues, de ritmos pernambucanos, e contam com a participação de diversos nomes locais: Naara, Cláudia Beija, Mônica Feijó, Geraldo Maia, Sergio Cassiano e Fred Andrade.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Citações de "Os prazeres da música", de Aaron Copland

Aaron Copland. Foto: Wikipédia / Reprodução.
"O emprego da música como uma espécie de ambrosia, para acariciar os sentidos, enquanto nossa mente consciente está ocupada com outra coisa, é a abominação dos compositores que levam a sério suas obras". P. 5

"Até se pode obter certo prazer ao se odiar a obra de determinado músico. Por exemplo, um dos ídolos de hoje, entre os compositores, Sergei Rachmaninov, me irrita. A perspectiva de me sentar para escutar uma de suas dilatadas sinfonias ou concertos para piano tende, francamente, a me deprimir. 'A que fim conduzem todas essas notas?', penso. Para mim, o 'tom' característico de Rachmaninov é de autopiedade e autoindulgência, tingido por uma definida melancolia. Como ser humano, posso compreender uma artista cujos arroubos produzem essa música, mas, como ouvinte, meu estômago não os tolera". P. 11-12

"Minha preocupação aqui com compositores de primeira linha como Bach, Beethoven e Palestrina não está destinada a sugerir que somente os maiores nomes e as maiores obras-primas são dignos da atenção do leitor. A arte musical, tal como a escutamos em nossos dias, se sofre por algo é por uma dose excessiva de obras-primas, por uma preocupação obsessiva pelas glórias do passado. Esse fato restringe o panorama de nossa experiência musical e tende a sufocar o interesse pelo presente, obscurecendo a muitos compositores excelentes cujas obras são menos que perfeitas". P. 18

"O indivíduo criador põe em relevo sua mais profunda experiência e estabelece uma cadeia de comunicação com seus congêneres sobre uma base muito mais profunda que qualquer outra coisa conhecida pelo mundo prático. A experiência da arte depura as emoções; através dela tocamos a ferocidade da vida e sua básica intratabilidade e, por meio dela, nos aproximamos, no mais, ao ato de imprimir a um material essencialmente intratável algum grau de permanência e beleza". P. 27

"Como todas as artes, a música possui um passado, um presente e um futuro, mas, contrariamente às outras artes, o mundo da música sofre os feitos de um isolamento especial: um interesse desproporcionado pelo passado e, ainda por cima, um passado muito limitado. As pessoas parecem pensar que o futuro da música é seu passado. Isso produz, como consequência maior, uma penosa falta de curiosidade quanto ao seu presente e um desconsiderado desprezo pelo seu futuro". P. 39-40

"A diferença entre Beethoven e Mahler é a diferença entre observar um grande homem enquanto caminha pela rua e observar um grande ator desempenhando o papel de um grande homem que caminha pela rua". P. 49

"Não é exagerado dizer que Berlioz inventou a orquestra sinfônica. Até sua época, a maior parte dos compositores escreviam para orquestra como se se tratasse de um quinteto de cordas ampliado. Ninguém, antes dele, havia encarado a fusão dos elementos da orquestra de maneira a produzir novas combinações sonoras". P. 50

[Tradução minha a partir da edição em espanhol pela El Aleph]

Sonoras - dezembro de 2012

Essas minhas duas resenhas de CD, assim como a do DVD da New Netherlands Orchestra, também saíram na edição da Continente de dezembro de 2012.

***


CANTO CORAL
CALÍOPE 
Villa-Lobos
A Casa

O grupo Calíope, participante da última edição da Mimo, inaugura o projeto Vozes do Brasil, em que planeja gravar a obra coral de compositores nacionais desde o século 18. Neste CD de estreia do projeto, dedicado a Heitor Villa-Lobos, o repertório traz arranjos de temas da Coleção do orfeão dos professores e composições originais para coro à capela, como as Duas lendas ameríndias, a Bachianas Brasileiras n° 9 e José, sobre o poema E agora José? de Drummond de Andrade. A regência é de Júlio Moretzsohn.

***


MÚSICA CLÁSSICA
SERGIO ROBERTO DE OLIVEIRA
Quinze
A Casa

Para celebrar seu 15° ano de carreira, o compositor e produtor carioca Sergio Roberto de Oliveira, indicado ao Grammy Latino em 2011 e 2012, lança um box com quatro álbuns dedicados à sua música de câmara. Os discos são intitulados com nomes de peças suas que remetem aos elementos da natureza e reúnem obras para cordas (Ao mar, água), duos e trios com piano (Espelhos, ar), canções (Oitis, terra) e grupos de câmara diversos (Luz e sombra, fogo).

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

DVD New Netherlands Orchestra

Resenha publicada na Continente de dezembro de 2012.

***


MÚSICA DO BRASIL NA TERRA DE NASSAU

Criada em 2011 pelo maestro carioca Laércio Diniz, a New Netherlands Orchestra, que reúne instrumentistas da Orquestra Filarmônica da Rádio Netherlands, tem como bandeira o intercâmbio musical entre Brasil e Holanda. Filho de pai pernambucano e ex-violinista, Diniz iniciou a carreira de regente em 2005 e, por meio de sua privilegiada condição de artista exclusivo de uma empresa, algo raro em nosso país, o “Maestro Capemisa” tem seu cachê e suas despesas logísticas pagas pela patrocinadora mediante o convite de qualquer orquestra interessada. Já na Holanda, onde ativou a NNO em dezembro de 2011, o patrocínio rendeu a gravação do primeiro DVD do grupo, cujo repertório consta de quatro peças: No Reino da Pedra Verde, primeiro movimento das Três peças nordestinas de Clóvis Pereira; a Introdução da quarta Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos (sem o da capo que a partitura indica); o Concerto para oboé e cordas em ré menor, op. 9 do italiano Tommaso Albinoni, com a participação do solista Martin Dekker; e a Serenata para Cordas de Antonín Dvorák, que ocupa mais da metade do concerto. O lançamento do DVD, em novembro passado, marcou a inauguração do Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Shopping RioMar, e contou com a Orquestra Filarmônica do Brasil no lugar do conjunto holandês, embora um projeto futuro seja o de trazê-lo ao Recife. O programa da apresentação foi substancialmente diferente daquele da gravação, mas que serviu para mostrar os compositores que estão sendo trabalhados no momento pelo maestro, como Elgar, Respighi, os brasileiros Luís Soler e Álvaro Matos Vieira, e Vivaldi, cujo Concerto para flautim em dó maior teve James Strauss como solista – flautista pernambucano que participou, este ano, da Mimo e da gravação de um CD em que Diniz rege a Orquestra Sinfônica Nacional da Lituânia, ainda inédito. Toda a renda do DVD da NNO será revertida para o Lar Fabiano de Cristo. (Carlos Eduardo Amaral)

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Sonoras - dezembro de 2014

Duas contribuições minhas para as indicações de CDs da edição de dezembro passado da Continente.

***

INSTRUMENTAL
TRIO 3-63
Muacy
Sambatown

A flautista Andrea Ernest Dias, dedicada estudiosa da obra de Moacir Santos, o percussionista Marcos Suzano (que também coordena os efeitos eletrônicos do trio) e o pianista Paulo Braga, releem os principais sucessos do compositor pernambucano, como Coisa n° 5 e Sambatango, ao lado de músicas de grandes parceiros de "Muacy": Carlos Negreiros, Radamés Gnattali e Paulo Braga.

***


REGIONAL
ORQUESTRA RETRATOS
De sol a sol
CPM Gravações

O mais recente disco do Conservatório Pernambucano de Música traz 12 peças para cordas dedilhadas escritas por uma nova e atuante geração de compositores e arranjadores residentes no Recife. Sempre baseadas nos gêneros populares e folclóricos pernambucanos, as partituras mostram sobretudo uma sofisticação de escrita que valoriza o talento das cordas dedilhadas da orquestra.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Rodrigo Herrmann, mais um desconhecido da música clássica brasileira




Acabei de receber da maestrina Helma Haller, diretora artística do Collegium Cantorum, de Curitiba, um CD com obras selecionadas do paulistano Rodrigo Herrmann (1916-1971), do qual, se não fosse por esse precioso álbum, eu nunca ouviria falar.

Para sorte de todos, é só acessar o site oficial do compositor e ouvir as músicas do disco, além de conhecer um pouco da biografia desse oblato que foi regente, crítico, organista e autor de obras sacras e seculares, escritas conforme a perfeição formal e da quietude interior que se revelam à primeira audição.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sete corações

Guedes, Duda, Spok, Edson, Zé, Clóvis, Formiga e Nunes. Foto: Divulgação/Leopoldo Conrado Nunes. Reprodução.
Quem perdeu, no cinema ou na televisão, o documentário sobre os sete mestres do frevo ainda vivos tem a chance de ver no YouTube a versão em três episódios que passou na Rede Globo Nordeste em dezembro passado, com um total de uma hora e meia de duração. Ao lado do primeiro vídeo, estão os links para os outros dois. Obrigatório não só nesta época de carnaval, mas sempre que se falar de música popular pernambucana.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Novo CD da Osesp disponível para download

Maestro Marcelo Lehninger. Foto: via Google Imagens.
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo disponibilizou para download seu CD mais recente pelo selo Osesp Digital, com as três que encomendou a compositores brasileiros no ano de 2014 e executou sob regência do carioca Marcelo Lehninger, maestro assistente da Sinfônica de Boston (Variações Temporais – Beethoven Revisitado, de Ronaldo Miranda, para orquestra), e do paulista Celso Antunes, regente associado da Osesp (Tenerife, de Alexandre Lunsqui, para coro e conjunto de câmara), além do quarteto de cordas com piano Estética do Frio III - Homenagem a Leonard Bernstein, de Celso Loureiro Chaves.

Bem pensada a estratégia do selo Osesp Digital de disponibilizar gratuitamente as gravações de peças nacionais. O povo e as empresas brasileiras investem na orquestra através das iniciativas pública e privada, e ela estimula a criação de peças inéditas de músicos nacionais para gravá-las e cedê-las ao público interessado.

Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução apenas parcial, salvo outra sob acerto prévio, citando-se a fonte e o link de origem em qualquer em qualquer circunstância.