terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Blog Islamidades e site Arresala


Talvez não exista um blog tão interessante em língua portuguesa sobre o Islamismo quanto o Islamidades, principalmente levando-se em conta que ele é produzido por um brasileiro não-muçulmano. Além dos aspectos religiosos e teológicos do xiismo e do sunismo, o Islamidades também aborda as relações entre o Islã e o Cristianismo ao longo da história e da atualidade, bem como analisa as conjunturas políticas e os aspectos das instituições laicas e religiosas do Oriente Médio, sem contar as anotações sobre arte e cultura dos vários povos de fé muçulmana.


Dois dos artigos - muito bons - indicados hoje pelo perfil do Islamidades no Facebook, o qual recebe mais atualizações que o blog, tratam das minorias cristãs no Oriente Médio (de autoria do próprio dono do Islamidades, Pedro Augusto Ravazzano) e dos mitos do senso comum sobre a vida no Irã.


Para quem quiser uma fonte islâmica e avalizada, minha recomendação é para o site Arresala, mantido pelo Centro Islâmico do Brasil e de orientação xiita, que traz artigos diversos sobre doutrina e tradição islâmica e informações para o público em geral. O visitante também pode comprar livros sobre a religião islâmica e a língua árabe.

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sábado, 13 de dezembro de 2014

À toa, de Gabriel Fernandes

Foto: Facebook.
Ontem à noite fui assistir a algumas apresentações do II Virtuosi pela Paz, no Santa Isabel, e tive a satisfação de conhecer o pianista e compositor Gabriel Fernandes, que está participando comigo do projeto Jovens Compositores Pernambucanos, idealizado pelo tenor Pedro Martins. Acabei conhecendo também essa peça belíssima dele, chamada À toa, para oboé e piano, que recomendo pra trilha sonora do final de semana de todos vocês.


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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Bicicletário no Virtuosi pela Paz

Disponíveis a partir das 18h desta sexta até o domingo (um dia a mais do que anuncia o cartaz abaixo, conforme a própria produção do evento).


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

"A praia"

Carlos Pena Filho. Foto: via Google Imagens.
[Atualizado em 27/12/2014]

Esse poema de Carlos Pena Filho que estou musicando para o tenor Pedro Martins (mas que pode ser cantado por qualquer voz masculina dentro da tessitura ou uma oitava abaixo) foi publicado, salvo engano meu, em 1959, na primeira edição de seu Livro Geral, mas ainda parece vívido, como se houvesse sido escrito hoje para denunciar o crescimento desordenado e o desalojamento dos habitantes dos manguezais, homens de pouco falar que comem fel de crustáceos e cujas mulheres tiram a angústia do bolso para contemplá-la na mão.

Tendo terminado de musicá-lo, comento agora sobre a concepção da canção.

Um breve tema modal em estilo de aboio, murmurado à capela pelo tenor como um fosse um acalanto, remete, a princípio, ao "fácil sono de um boi" dos "velhos que adormecem, lembrando o tempo que foi", em que o Recife não tinha sua ocupação urbana ainda tão caotizada (o que já era acusado por CPF nesse poema já naquela época), e, em um segundo plano, mais crítico, ao estado de torpor e alienação em que se encontra a maioria dos recifenses ao não refletir sobre a cidade e se engajar por ela.

O piano então, com uma evolução cromática ascendente e descendente na mão esquerda e um tema de valsa triunfal na direita, vai criando a atmosfera onírica em que o poema deveria começar a ser declamado. No entanto, o triunfal dá lugar ao tenso, onde um ostinato atonal prepara a atmosfera de perseguição à la Arrigo Barnabé para a entrada do tenor (cuja parte será sempre modal ao longo da partitura).

Mas não é só junto ao rio / que o Recife está plantado, / hoje a cidade se estende / por sítios nunca pensados / dos subúrbios coloridos / aos horizontes molhados.

A tensão é deixada de lado para dar lugar ao idílico, que seria vivido nos "horizontes molhados". A linha melódica do tenor muda de mi bemol mixolídio para mi bemol frígio apenas nessa seção da peça.

Horizontes onde habitam / homens de pouco falar / noturnos como convém / à fúria grave do mar.

Volta a tensão inicial, onde o tenor canta mais dramaticamente a situação dos "homens de pouco falar".

Que comem fel de crustáceos / e que vivem do precário /  desequilíbrio dos peixes.

Uma ciranda (que remete aos moradores praieiros, como eram os habitantes deslocados do mangue ou das palafitas) gera uma expectativa de redenção e esperança, abandonando-se logo adiante, quando o acompanhamento do piano passa de um modo maior para um menor, e depois para o atonal, quase serialista, gerando angústia. O acompanhamento do piano nesta seção se dá em baixo volume para criar um segundo plano, separado da linha melódica do tenor.

Nesse lugar, as mulheres / cultivam brancos silêncios / e nas ausências mais longas, / pousam os olhos no chão, / saem do fundo da noite, / tiram a angústia do bolso / e a contemplam na mão.

A atmosfera onírica se desvanece com a volta da introdução do piano, bruscamente interrompida. O tenor deixa claro que, dentre os desalojados, ninguém tem direito a dormir, apenas os mais velhos, envoltos em suas lembranças.

Só os velhos adormecem, /lembrando o tempo que foi / vazios como o vazio / e fácil sono de um boi.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

El Sistema sob outra perspectiva

Gustavo Dudamel, Foto: via Google Imagens.
Neste último sábado, o Estado de São Paulo publicou em seu site uma matéria do crítico musical João Marcos Coelho em que são analisadas as críticas do livro mais recente do musicólogo Geoff Baker ao Sistema de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela, conhecido como El Sistema. Recomendo a leitura sem tomada de partido. O próprio João Marcos Coelho fornece um bom contraponto à leitura que Baker oferece e lembra de outros sistema de educação musical, como os de Villa-Lobos no regime Vargas e Zoltan Kodály na Hungria, que, se não formaram músicos excepcionais, contribuíram para a sensibilização artística e para a disciplina no ambiente escolar.

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domingo, 7 de dezembro de 2014

"Uma celebração ao violão"

Compositor Ricardo Tacuchian. Foto: Facebook.
Esse é o título que ganhou minha matéria mais recente na revista Continente (cujos parágrafos iniciais vocês podem ler aqui), que fala do livro do violonista Humberto Amorim sobre a obra completa de Ricardo Tacuchian para o instrumento de Sor, Tárrega e Segovia. Ricardo Tacuchian e o violão é o segundo livro de Humberto com o selo da Academia Brasileira de Música e tem prefácio de Fabio Zanon, além de ser o primeiro dedicado exclusivamente ao compositor carioca.

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Projeto Sesc Partituras


Compositores de primeiro time da música contemporânea nacional ao lado de jovens talentos. Qualquer músico pode mandar suas partituras para o site do projeto Sesc Partituras preenchendo apenas um formulário de cadastro pessoal mais outro de cadastro de obra individual, e assinando um termo de autorização. O Sesc Partituras deixa claro aos intérpretes que a disponibilidade das partituras não quer dizer cessão de direitos, ou seja, ela não tem relação com o devido recolhimento de direitos autorais ao ECAD. Além disso, o Sesc promove periodicamente concertos de obras dos compositores. Mais informações, no próprio site.

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