segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Armando Lôbo fala sobre Pernambukalos

Gabriela Geluda, soprano da estreia mundial de Pernambukalos. Foto: via Google Imagens.
Puxando um papo com Armando via Facebook, falei-lhe de que sua Pernambukalos era obrigatória na minha playlist (tenho a gravação, cedida por ele, da estreia mundial da peça, ocorrida há cerca de dois meses na última Bienal de Música, no Rio) e que queria que ele discorresse sobre ela, pois eu sentia ali influências do da música indígena, do rock, da MPB, do maracatu e de mais um pouco.


Ele então respondeu-me (e aí compartilho com vocês, com autorização dele):


Tentei especular sobre o nome "Pernambuco", o sentido etimológico, e os gêneros aboio, caboclinho, maracatu e frevo de bloco (torto). A ideia é a do momento e da compulsão originária da criação de Pernambuco, por isso o elemento indígena aparece como caldo mítico fundacional [nas passagens onomatopaicas, que ocorrem desde o início da obra]. A peça foi escrita quase em transe, bem rápido, em menos de uma semana. Há um freyreanismo de 3 raças na letra, mas esse aspecto socio-antropológico é apenas um detalhe. O que procurei mesmo foi o transe.

É minha intenção na música comunicar pelos sentidos e pela memória. A conceitualização intelectual é importante, mas ela se soma aos sentidos e só existe se estes existirem. Sou contra o puritanismo, a estética assexuada de muitos estruturalistas da "vanguarda".

* No parágrafo acima, quando falo de minha intenção refiro-me à minha intenção na música como um todo, não apenas em
Pernambukalos.

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