segunda-feira, 11 de julho de 2016

Estudo armorial n° 6



Texto sobre a obra, escrito para o programa do concerto de estreia do Festival de Percussão 2 de Julho, nesta segunda, em Salvador - BA:

"O Estudo armorial n° 6 é a mais recente peça de uma série que contempla diversas formações (as anteriores são: duo de violoncelos, piano solo, violino solo, cravo solo e duo de flautas) e se utiliza de escalas modais, padrões rítmicos e gestos idiomáticos característicos do repertório standard da música armorial, consagrado nos anos 1970, para trazer novas feições à música de concerto de base nas raízes folclóricas nordestinas, aplicando também procedimentos composicionais utilizados em peças de outros movimentos estéticos do século 20, como o espectralismo, o texturalismo, o minimalismo norte-americano e o nacionalismo villa-lobiano, por exemplo. O sexto dos Estudos armoriais é o de maior formação instrumental - foi escrito para 15 percussionistas por encomenda do Grupo de Percussão da UFBA - e é dedicado ao professor e compositor Jarbas Maciel, expoente da música armorial ainda vivo, e, como as demais peças da série, tem uma segunda dedicatória, in memoriam, ao escritor Ariano Suassuna. Os primeiros compassos da partitura trazem um componente monogramático que serve como célula primeva e determina as tonalidades utilizadas ao longo da estrutura da peça: dó, mi e lá, que equivalem às iniciais do nome do compositor na notação inglesa: C, E, A."

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segunda-feira, 21 de março de 2016

Audições Brasileiras #12 recebe Armando Lôbo


(Nem vou antecipar aqui o que o bate-papo rendeu de bom. Vale a pena esperar para ouvir.)

Recife Antigo, op. 20

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Recife Antigo, op. 20, para conjunto de percussão e orquestra de câmara, é minha obra mais ousada até aqui - não só no aparato instrumental, mas também na estruturação. Sob certa medida, quero dizer, sob um olhar mais superficial, seria possível dizer que Recife Antigo se trata de uma miniópera contemporânea, sem o requisito de cantores líricos ou coral. No entanto, rejeito essa classificação. O desenrolar da narrativa, muito mais do que da ópera, deve sua fluidez ao conceito da música-teatro dos anos 1960, no qual o argumento conduz diretamente os atos musicais, sem necessidade de partitura, com a diferença, aqui, de que a esquematização mostrada nas imagens abaixo (no que eu chamo de grade-mestra) é preenchida por subgrades e sub-roteiros a cargo do maestro e dos instrumentistas pertinentes. Outros elementos conceituais da música de vanguarda presentes, pode-se notar, são o semi-aleatorismo, o texturalismo e o happening, além de minha própria contribuição em trabalhar a narrativa em três planos espaço-temporais (motivada pela análise da trilha sonora nos filmes de Sergio Leone, feita por Rodrigo Carrero, e pela dissociação das naturezas espiritual e física do protagonista da ópera Marco Polo, de Tan Dun). Mesmo assim, com todas essas referências, a maior parte da peça é tonal ou modal, cheia de melodias para se sair cantarolando - isso ameniza a complexidade das ideias musicais envolvidas. Por fim, para se entender a grade-mestra, tenha-se em mente que: diegese se refere à ação dramática; extradiegese, ao que está fora da ação mas direcionada a ela; e supradiegese, ao que está além da ação, alheio a ela (supradiegese é você comendo pipoca quando assiste a um filme). Como esses três planos transitam e se confunde é a graça da peça (ou a dor de cabeça dela).


O desenrolar da obra se dá em tempo real, a partir do trajeto imaginado (e conferido após uma das minhas várias pedaladas pelo bairro em dias de folga):

Numa tarde de domingo, no Recife Antigo, um hipotético cidadão qualquer começa a fazer um périplo a partir da praça do Arsenal, após terminar de ver um acerto de bloco de frevo, e segue pela rua do Bom Jesus, testemunhando uma celebração em frente à Sinagoga Kahar Zur Israel, até dobrar ao lado da Caixa Cultural e chegar ao Marco Zero, onde o movimento Ocupe Estelita faz mais uma manifestação vindo pela avenida Alfredo Lisboa, sob insatisfação de muitos dos que transitam pelo local. Ao pegar a rua da Moeda e passar pela esquina da Mariz e Barros, Jomard Muniz de Brito profere – diante da estátua de Chico Science – mais um de seus “atentados poéticos”. O observador começa a imaginar o caos urbano que lhe ocorre todos os dias ao ir para o trabalho, de metrô. Ele continua a caminhada e dobra à direita na rua da Madre de Deus, na qual uma procissão carmelita está de passagem e canta uma ladainha um tanto inusitada. Na esquina dos Correios, um dos maracatus que ensaiam pelas ruelas do entorno se concentra e vai em direção à avenida Barão do Rio Branco, atualmente fechada ao trânsito de veículos. Mas há quem queira passar à força... Alguém cujo trajeto às vezes coincide com o do cidadão também estará aí nesta hora. É dia de Clássico das Multidões. Os ânimos de alguns se excedem.

***

A instrumentação é a seguinte:

Orquestra
- Cordas
- Madeiras (a um ou a dois) → Flauta, oboé, clarineta e fagote
- Metais → Duas trompas, trompete, trombone baixo (Clarineta, trompas e trompete em dó... ou não)

Frevo de bloco
- Glockenspiel
- Xilofone
- Vibrafone
- Marimba
- Apito
- Ganzá
- Pandeiro

Avraham Avinu (Cuando el rey Nimrod)
- Marimba (novamente)
- Atabaques
- Castanholas
- Atabaques

Ladainha
- Carrilhão de sinos

Maracatu
- Apito (novamente)
- Agogô de duas campanas
- Mineiro ou ganzá
- Dois taróis ou caixas
- Duas alfaias marcação
- Duas alfaias meião
- Duas alfaias repique
- Três buzinas (lá3, sib3, dó4) – opcionais

Protesto Ocupe Estelita
- Matracas
- Dois chicotes
- Pisadas de sapatos
- Três buzinas (novamente)
- Bigorna e martelo
- Pau de chuva
- Megafone – opcional

Outros instrumentos requeridos
- Três tímpanos (lá1, dó2, mi2)
- Bombo
- Gongo
- Triângulo
- Flauta de êmbolo – opcional

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sexta-feira, 18 de março de 2016

Nova casa: Orquestra Criança Cidadã


Como alguns já devem saber, agora estou ao lado de uma grande orquestra, fruto de um grande projeto musical, nascido no Recife, que literalmente vi nascer: a Orquestra Criança Cidadã, ainda conhecida pelo nome de batismo de Orquestra dos Meninos do Coque.

Após passar pelo processo seletivo aberto pela OCC, assumi a assessoria de comunicação e imprensa da OCC no último dia 10 com o desafio de potencializar a projeção de imagem dos "Meninos do Coque" no ano em que completam uma década de existência.

Por isso, a expectativa é de muito trabalho e muita responsabilidade, mas as atuais integrantes da equipe são bem participativas: Devanise Mendes (assistente de comunicação na sede), Tamíz Freitas (assistente de comunicação do Núcleo Ipojuca) e Aline (assistente de design).

A primeira mobilização acontecerá em breve: o lançamento do DVD da OCC com a violinista japonesa Yoko Kubo, gravado em Roma, em novembro de 2015. O álbum, com os concertos para violino de Bach (BWV 1041 a 1043) está de primeira, e metade da tiragem de 10 mil exemplares será doada para as obras de benemerência do Vaticano.

No mais, obrigado a todos pelas palavras de incentivo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Audições Brasileiras #11 recebe Harry Crowl


Confira nesta quarta-feira ao meio dia o bate-papo com o compositor, professor e musicólogo Harry Crowl, que nos anos 1980 coordenou a equipe responsável pela segunda gravação mundial do Te Deum do pernambucano Luís Álvares Pinto (1719-1789). Na conversa que tivemos para a décima primeira edição do podcast Audições Brasileiras, Harry (vide SoundCloud) fala desse trabalho, conta um pouco sobre a primeira Conferência sobre Música Acadêmica Brasileira na Rússia e relembra a importância musical de Gilberto Mendes (1922-2016), compositor referencial da vanguarda brasileira falecido há pouco mais de um mês.

Vamos escutar ao longo do programa três peças orquestrais de Harry: Antipodae brasilienses, em dois movimentos, interpretada pela Orquestra Sinfônica do Paraná, sob direção de Ernani Aguiar; De fluminibus, para cordas, com a Orquestra de Câmara da Rádio Romena e condução de Cristian Brancusi; e Enquanto uma grande cidade dorme, com a Orquestra Filarmônica Estatal do Cazaquistão e a Academia de Solistas de Astana, sob regência de Daniel Bortholossi.

Antes da entrevista confira também alguns avisos sobre 1. a próxima edição do Virtuosi de Gravatá, que abriu inscrições para oficinas de coralistas, 2. a carta aberta do Opera Studio do Recife, contestando a redução da verba para projetos de capacitação em ópera no edital do Funcultura, e 3. a parceria entre a Cepe e a livraria Blooks, que permitirá aos livros da editora e à revista Continente serem comprados no eixo RJ-SP. E não perca o tradicional pingue-pongue antes do encerramento. Até lá.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Saiba como empreender no setor musical


Guia idealizado pelo produtor Leo Salazar, hoje consultor do Sebrae, ajuda a empreender no universo musical. Veja indicadores sobre esse mercado, sua relação com economia criativa e saiba como obter sucesso na indústria musical. É só acessar o link e baixar o livro em PDF.

Audições Brasileiras #10 recebe Sérgio Ferraz



No podcast Audições Brasileiras da próxima quarta, Sérgio Ferraz faz um apanhado de suas influências musicais ao longo dos últimos trinta anos e dos seis CDs que gravou desde 2000 e responde sobre novos caminhos a serem seguidos pela composição armorial e o processo de criação de seu álbum mais recente, Flutuando sobre as ondas, que mescla técnicas da música concreta e eletrônica.

O repertório do podcast inclui músicas dos seguintes CDs de Sérgio Ferraz: Dançando aos pés de Shiva (a faixa-título); Segundo romançário (quatro músicas, incluindo uma de Zoca Madureira); Sonoris Fabrica (Zumbi); e Flutuando ao som das ondas (Cartas de Saturno, segundo movimento de Paisagens sonoras eletrônicas imaginárias) – esta última música, após a vinheta final do podcast, deve ser ouvida com fones, para se captar o deslocamento tridimensional das sonoridades.

As indicações de livros desta edição do Audições Brasileiras são: Conservatório Pernambucano de Música – 85 anos: uma apreciação, de Sérgio Nilsen Barza; e Orquestra Armorial de Câmara de Pernambuco: Partituras editadas, em três volumes; ambos em parceria entre o CPM e a Cepe. A indicação de CD fica para o álbum Piano e poesia, de José Celso Freitas, com destaque para a faixa Baião da despedida. Boa audição.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Partituras armoriais disponibilizadas para download pela Cepe






Semana passada, dia 17, o Conservatório Pernambucano de Música e a Cepe - Cia. Editora de Pernambuco (a imprensa oficial do Estado) lançaram o livro de partituras da Orquestra Armorial de Câmara.

Dividido em três volumes e compilando as partituras de todas as músicas gravadas pela orquestra nos anos 1970 (cinco LPs oficiais mais um oficioso) e 1990 (dois CDs), o livro teve uma equipe de editoração coordenada pelo prof. Sérgio Barza, autor do outro livro lançado na ocasião, acerca da atuação do Conservatório ao longo de seus 85 anos de história.

A novidade é que boa parte das partituras que integram o projeto estão disponíveis para download no site da Cepe (grades mais partes cavadas). Além da importância histórica dessa iniciativa, existe também a preocupação de que a música armorial volte a ser tocada, ouvida e pesquisada em larga escala pelas novas gerações.

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